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sábado, 22 de outubro de 2016

Em claro

Noite 1 - 00h11: Não escrevo há um bom tempo. Amanda me emprestou um livro e eu ainda não consegui terminar de ler. Sou lenta para o que me ensina e afoita para o que me liberta. Cuido das minhas unhas com piedade. Faço votos de castidade. Seduzo com meus problemas. Encaro o divã com seriedade. Coloco as contas em dia. Dores na cervical, quase o peso do mundo nas costas. Mas sou mãe que não abandona. Aguento firme porque você é a minha menina e eu te amo.

Noite 2 -  20h38: Cansada. Cabelo pintado. Sono. Fome. Sexo. Tive vontade de ser grosseira com meu pai. Não fui. Nunca sou. Mantenho o tom se voz  como se ainda fosse outono. Não é mais. Sou bem filha da mãe.

Noite 3 - Releio meus poemas. Ainda me entretenho com as palavras como se fossem minhas filhas. E são. Dou sermão, repreendo, sou cuidadosa, admiro a criação. Entrego meus segredos. Não escrevo para te agradar, o que eu procuro é libertação. 

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