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sábado, 9 de novembro de 2019

Mutante

Mutante. Desde quando não me irrite, não me comande. E seu eu quiser fugir, gritar, fazer farra, me larga, você não me conhece - bem, eu sei, nem eu, mas vai dar tempo - pensa e me deixa ser o que eu quiser.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Instinto

Não significa que eu seja tímida, é só questão de me mostrar para quem eu quero. Direciono os instintos. Sou bela e fera. Te persigo sem perceber. Se quiser drama, te dou carinho, se quiser romance, te mostro o caminho da minha cama. Não sou fácil de entender, mas se você conseguir chegar perto - mais perto, quem sabe eu te dê. Uma chance.

Inocência

A semana é santa - eu não sou. Profana. Ré confessa. Mãe de família. A mulher dos sete véus. Vai ver, vai ser o paraíso. Meus deslizes serão os teus pecados. E nós seremos abençoados em cada noite de amor. Daqui ao teu apartamento são alguns passos. Eu te contei todos os detalhes. Duvida? Então me espera na saída, não sou menina que se amedronta por pouco. Sou mulher que trabalha a vaidade e contorna os desejos. Não sou pura, nem puta nem sequer tua. Sou minha. 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Retorno

Saturno me acompanha.  Retorno. Não entendo meus dramas e retomo meu tempo com medo do barulho tosco de um pingo de chuva. Talvez você me entenda. Hoje é um dia comum. Mas você está nele o tempo inteiro. Gravitacional. Não foi minha intenção. Peço desculpas se não consegui falar dos meus problemas, do meu amor, dos meus poemas. Eu só aprendi agora. Não é caso de perdão. Foi amor de cinema.    

sábado, 22 de outubro de 2016

Em claro

Noite 1 - 00h11: Não escrevo há um bom tempo. Amanda me emprestou um livro e eu ainda não consegui terminar de ler. Sou lenta para o que me ensina e afoita para o que me liberta. Cuido das minhas unhas com piedade. Faço votos de castidade. Seduzo com meus problemas. Encaro o divã com seriedade. Coloco as contas em dia. Dores na cervical, quase o peso do mundo nas costas. Mas sou mãe que não abandona. Aguento firme porque você é a minha menina e eu te amo.

Noite 2 -  20h38: Cansada. Cabelo pintado. Sono. Fome. Sexo. Tive vontade de ser grosseira com meu pai. Não fui. Nunca sou. Mantenho o tom se voz  como se ainda fosse outono. Não é mais. Sou bem filha da mãe.

Noite 3 - Releio meus poemas. Ainda me entretenho com as palavras como se fossem minhas filhas. E são. Dou sermão, repreendo, sou cuidadosa, admiro a criação. Entrego meus segredos. Não escrevo para te agradar, o que eu procuro é libertação. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Livre

Sou livre de dar pena. Boneca de porcelana, papel de seda, menina mimada, mulher problema, unha roída, filha criada. Sou livre de dar pena. Presa na adolescência, drama e cinema, filminho erótico na sala. Você nem liga. Sou livre de dar pena. Nome na lista e você decide se fica comigo. Não sei se o passado me condena ou se eu pago o preço de propósito. E não importa se é Paulo, Luciano, Francisco, André ou Pedro. Sou eu comigo mesma. Se alguém me espia pela fechadura da porta e isso me incomoda - você nem liga. E eu finjo que não gosto. Sou livre de dar pena. Tão livre que não consigo resolver meus problemas. Sedutora e ardilosa. Preocupada com as manchas nas pernas. Pele branca coberta de sardas. Manhãs mornas e madrugadas acordada. Sou livre. E isso é mentira. Uma farsa. Uma pena.   

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Repouso

Inconformada. Conjuntivas irritadas. Atarefada. Desequilíbrio esplênico. Você sabe do que eu tenho medo? De nada. O que me sobra é coragem - e desalinho. Vai ver você não adoece porque fala o que pensa. E eu calo e consinto. E falo o que convêm. E falo é uma conjugação pornográfica. Eu, borboleta no casulo - não lagarta, borboleta presa, envergonhada. Crisálida não é uma palavra bonita.

Criança
malandra
não ganha
carinho
apanha

Palavras são só palavras. Mas eu ainda tenho medo.